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Impacto emocional da Ginecomastia

A formação da autoimagem se dá especialmente durante a adolescência. Autoimagem é um conceito que engloba como vemos, sentimos e agimos com nosso corpo. Nas ultimas décadas, a mídia cresceu em importância na vida das pessoas, através da internet, e estudos mostram que a autoimagem dos adolescentes sofre com o excesso de exposição a imagens do físico ideal .
É, então, fácil concluir que uma característica física que foge do esperado e desejado, como a ginecomastia, cause grande impacto emocional, tanto no adolescente quanto no adulto. Muitas vezes leva a alterações de humor (podendo inclusive causar depressão e ansiedade), baixa da autoestima, adoção de hábitos alimentares extremos (compulsão ou recusa alimentar), medo de julgamentos e preconceitos, isolamento social, baixo rendimento escolar ou no trabalho. Mais frequentemente essa doença ocorre na puberdade, fase em que também estão ocorrendo diversas mudanças hormonais (e consequentes oscilações emocionais) e importantes aspectos da personalidade e identidade (ideologia, ocupação profissional, valores, relacionamentos interpessoais) estão sendo definidos. A vulnerabilidade nessa fase da vida a estressores, como a doenças por exemplo, é maior.
Ao entrar na puberdade, há a espera pelo desenvolvimento do corpo e surge a curiosidade e comparação entre os adolescentes. O crescimento das mamas é associado ao corpo feminino, e quando ocorre em homens pode levar a comprometimento na sua identidade sexual e causar grande sofrimento e vergonha. Um jovem com ginecomastia pode inclusive ser alvo de bullying. Estudos mostram que é mais frequente a busca de mulheres por auxílio em questões emocionais relacionadas a doenças da mama, enquanto em homens o comportamento mais habitual é o de esconder o corpo e se isolar. Mostram também que muitas vezes o homem se sente culpado pelo desenvolvimento da doença, gerando mais vergonha e culpa.
Perda de sociabilidade e distorções da imagem corporal e autoestima afetam humor e produtividade. Doenças como depressão e ansiedade podem se desenvolver, alem de transtornos alimentares, comprometendo ainda mais a qualidade de vida.
Estudos recentes mostram melhora em diversos aspectos de vida (físicos e mentais) após cirurgia corretiva, medidos através de questionários padronizados aplicados em indivíduos voluntários. Melhora global da saúde, capacidade funcional (melhor performance em atividades diárias diversas), maior sociabilidade, melhora na saúde mental (humor e autoestima) e na vitalidade (vontade e disposição).

Referências:

1) Davanço, R; Neto, MS; Garcia, EB; Matsuoka, PK; Huijsmans, JPR; Ferreira, LM Quality of Life in the Surgical Treatment of Gynecomastia,Aesthetic Plastic Surgery,July 2009, Volume 33, Issue 4, pp 514-517
2) Kipling M. · Ralph J.E.M. · Callanan K. Psychological Impact of Male Breast Disorders: Literature Review and Survey Results, Breast Unit, University Hospital of North Durham (UHND), Durham, UK, Breast Care 2014; 9> 29-33
3) Voelker DK, Reel JJ, Greenleaf C, Weight status and body image perceptions in adolescents: current perspectives, Adolescent health, medicine and therapeutics 2015 Volume 2015:6 Pages 149—15

Contribuido por: Dra Camila Araújo Castro - CRM/SP 156 444 - Residente de psiquiatria UNIFESP